O que torna estes desejos pecaminosos tão perigosos é que eles moram dentro
dos nossos corações e nem sempre têm uma aparência ruim.
Os tradutores da bíblia usaram a expressão “domínio próprio” para
traduzir duas diferentes palavras do original bíblico.
A primeira está na lista do Fruto do Espírito – domínio próprio = moderação/temperança
- em relação ao ataque dos desejos e apetites – o significado é de força
interior – quer dizer a força de caráter que capacita as pessoas a
controlarem as paixões.
A segunda palavra traduzida por “domínio próprio” denota mente
sólida/ julgamento sólido.
Os
significados se completam. Um julgamento sólido, seguro nos capacita a ver o
que e como algo deve ser feito; força interior providencia a vontade de fazer.
Isso nos traz uma definição final:
“Domínio próprio é o exercício da força interior sob orientação de
um julgamento sólido que nos capacita a fazer, pensar, e falar coisas que
irão agradar a Deus”.
Três áreas que precisam ser dominadas: Corpo, pensamentos e emoções.
1. Dominando o corpo (Honrar a Deus com o corpo)
Deus
nos criou com senso de prazer.
“Então
o Senhor Deus fez nascer do solo todo tipo de árvores agradáveis aos olhos
e boas para alimento” – Gn 2.9
Não há dúvidas que foi intenção de Deus que nós tivéssemos prazer
físico na nossa existência as com coisas que ele mesmo providenciaria para
nós.
1Tm
6.17 “Deus nos provê tudo que precisamos para nossa satisfação”.
Mas
vejam bem, porque os nossos desejos se corromperam, aquelas coisas que Deus
pretendia que fossem para nosso deleite, acabam tendo a tendência de
dominar as nossas vidas.
Por isso, o domínio próprio do corpo deve ser focado em três
áreas principais de tentação física: Glutonaria – comida
e bebida; preguiça/falta de descanso/desleixo com o corpo e
imoralidade sexual.
-
Deus
nos dá graciosamente comida e bebida – temos prazer no comer e beber.
Só que nós nos deixamos dominar. É daí surgem a glutonaria e
bebedice. Nós supervalorizamos a comida – alguns literalmente
vivem para comer – e o prazer passa a dominar a suas vidas. Com a
bebida é a mesma coisa – começa como prazer e passa para o vício. A
bíblia nos orienta a comer e beber para a glória de Deus - 1Co
10.31
-
Deus
deu, para nosso deleite, o descanso – e aí, ou não descansamos ou
nos entregamos à preguiça. Alguns abusam do seu corpo não dando a ele
quase nenhum descanso; outros, não se cuidam, não dão ao corpo nenhum
exercício sequer; outros acham que nasceram para descansar e devem ir
ter com as formigas, pois são totalmente preguiçosos. O nosso corpo
continua sendo o templo do Espírito Santo – tratar mal o corpo é
pecado.
-
O
sexo - e dele vem a imoralidade. O padrão estabelecido por Deus nesta
área é muito simples e claro. Absoluta abstinência fora do
casamento e total fidelidade dentro do casamento. Qualquer outro
caminho ou justificativa resultará em imoralidade. Vimos que domínio
próprio é viver dentro dos limites estabelecidos por Deus. Aí esta
uma área que merece toda nossa atenção, porque não existem limites
para o mundo quando se fala de sexo.
2.
Dominando Pensamentos (Levar cativo todo e qualquer pensamento)
Paulo
afirmou:
“Nós
devemos levar cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo”
2Co 10.5
Ter
domínio dos pensamentos significa entreter as nossas mentes com
pensamentos que sejam aceitáveis a Deus. E você sabe que a melhor maneira
de avaliarmos os nossos pensamentos é apresentada por Paulo em Fl 4.8:
Fl
4.8 “Finalmente irmãos, tudo que for verdadeiro, tudo que for nobre, tudo
que for correto, tudo que for puro, tudo que for amável, tudo que for de
boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas
coisas”.
Ter
domínio dos pensamentos, então, é mais do que apenas recusar maus
pensamentos – devemos fazer isso – mas devemos incluir em nossas mentes
pensamentos que venham agradar a Deus. Devemos construir muros de proteção
recusando pensamentos pecaminosos e nos apropriando de pensamentos que
honrem a Deus.
Pv
4.23 “Acima de tudo, guarde o seu coração, pois dele depende toda sua
vida”
Aqui,
o significado da palavra hebraica traduzida por coração, refere-se a toda
consciência de uma pessoa: entendimento, emoções,
consciência e vontade – entretanto, a advertência é
particularmente aplicada à nossa vida de pensamentos.
A
tarefa de dominar pensamentos é árdua, mas importante. É a partir dos
nossos pensamentos que nossas emoções e ações começam – então, é
justamente lá que os desejos pecaminosos plantam suas raízes e nos seduzem
ao pecado.
Nossas
mentes são como estufas mentais onde pensamentos ilegítimos, uma
vez plantados, são nutridos e aguados antes de serem transformados em ações
ilegítimas. Raramente nós caímos subitamente na imoralidade ou
glutonaria. Estas ações são primeiramente saboreadas em nossas mentes
antes de serem satisfeitas na realidade.
Os
portões dos nossos pensamentos são com certeza os nossos olhos e ouvidos. Acã
viu a capa e o dinheiro, cobiçou e pegou para si. Josué 7.21 -
O que nós vemos, lemos ou ouvimos normalmente determina o que pensamos. Memória
também tem grande parte de responsabilidade pelos nossos pensamentos, mas
ela só guarda e traz de volta aquilo que originalmente veio para as nossas
mentes através dos olhos e ouvidos. Então, guardar o nosso coração começa
quando começamos a guardar os nossos olhos e ouvidos.
Isso
quer dizer que nós não devemos permitir que a lascívia, o
materialismo, a inveja, a ambição egoísta entrem em nossas mentes.
Então, devemos nos precaver contra programas de TV, filmes, revistas,
artigos de jornais, propagandas e conversação que levantem estas coisas.
E nós devemos não apenas evitar estas coisas, mas como Paulo instrui a Timóteo:
“Fuja destas coisas” ninguém está isento da necessidade de exercitar
domínio próprio. Sem criar pânico, deveríamos evitar o máximo o
contato com coisas que vão destruir as muralhas de proteção da nossa
mente - permitindo que não consigamos nos controlar.
Salmo
139.2 e 4 “De longe percebe os meus pensamentos e antes que a palavra
chegue à minha língua, tu já a conheces inteiramente”.
É
muito interessante que nós permitimos em nossas mentes o que nós não
permitimos em nossas ações, porque outras pessoas não podem ver os nossos
pensamentos. Mas Deus os vê.
3.
Controlando as Emoções (Refreando as emoções)
As
emoções que devemos controlar são principalmente a raiva e fúria, os
ressentimentos, a autocompaixão e a amargura. Os sentimentos podem ser
explosivos como um gênio descontrolado; ou pode ser velado, como a
autocomiseração – ambos desagradam a Deus e devem ser alvos do domínio
próprio.
Segundo
a Palavra, um gênio explosivo é uma contradição na vida daqueles que estão
procurando praticar a vida cristã de forma piedosa. É um problema não
apenas porque isso demonstra que a pessoa é desgovernada, mas
principalmente porque em geral a situação acaba machucando as pessoas que
são os “recipientes” da explosão, quebrando o respeito, criando
amargura e destruindo relacionamentos. Fora que depois da crise de ira –
vem um sentimento de vergonha – pois na maioria das vezes, uma pessoa
descontrolada é no mínimo ridícula.
Pv
16.32 “Melhor é o homem paciente do que o guerreiro, mais vale controlar
o seu espírito do que conquistar uma cidade”
Se
você tem lutado contra este sentimento que faz você explodir, tente
identificar as coisas que o levam a perder o controle – avalie com Deus
estas coisas e submeta-se à Palavra de Deus, pagando o preço da construção
de uma muralha que vai proteger você de cair.
Embora
não tão prejudiciais aos outros, o ressentimento, a amargura e
autocomiseração podem ser muito destrutivos para nós mesmos e
para o nosso relacionamento com Deus. O gênio explosivo é de certa forma
aliviado quando é derramado sobre os outros a raiva; enquanto esses outros
sentimentos vão corroendo a pessoa por dentro como se fosse um câncer,
desonrando a Deus e destruindo a saúde espiritual. Devemos manter nossas
emoções com rédea curta. Devemos trabalhar decididamente com elas quando
elas surgem nos pensamentos e não dar corda a eles.
4.
Construindo a muralha de proteção
A
ênfase na luta pelo domínio próprio poderia ser a palavra crescimento.
E este é um processo que exige tempo, paciência, persistência, boa
vontade – e compreensão de que todos estão no mesmo barco – a única
coisa que difere é que uns lutam numa certa área outros lutam em outras
– mas todos estão lutando. Às vezes, somos tentados a julgar os outros
por não terem se dominado numa área em que nós não temos problemas.
Somos tolerantes conosco em nossas lutas e intolerante com os outros
nas lutas deles. Temos que lembrar – todos estão lutando e crescendo.
O
que temos que construir é uma mente sólida para um julgamento sólido. E
a palavra de Deus é essencial neste processo.
E é o que estamos dizendo desde domingo passado e ouvimos hoje de manhã. A
Palavra de Deus é fundamental para o crescimento, para a santidade, para a
vitória na vida cristã. Alguém disse “A palavra de Deus vai mantê-lo
longe do pecado, ou o pecado vai mantê-lo longe da Palavra de Deus”.
Lembre-se:
o domínio próprio é tomar a decisão de estabelecer limites baseados na
Palavra.
Os
conceitos da Palavra de Deus vão construir uma proteção que vai nos
habilitar a dominar os ataques que querem nos levar a perder o domínio. Ter
domínio próprio é ser totalmente dominado por Deus, só podemos ser
dominados por Deus se a Palavra dominar as nossas vidas. “Escondi
a tua palavra no meu coração para não pecar contra ti”.
Não é mágica, é força interior gerada pelo Espírito de Deus, tendo com
instrumento a própria palavra de Deus – que é viva e eficaz. Identifique
alguns passos:
-
Construa
uma mente sólida, calcada na palavra vai ser o inicio do domínio próprio;
Conhecer e obedecer a Deus através da Palavra vai construir a barreira
que vai proporcionar o domínio próprio. Não é apenas dizer não ao
pecado. Devemos quebrar os velhos hábitos e pelo conhecimento e obediência
à Palavra colocar hábitos sadios no lugar.
-
Uma
mente segura/sólida vai nos possibilitar identificar as áreas que
precisam ser trabalhadas, onde necessitamos ter domínio próprio.
Pv
27.12 “o prudente percebe o perigo e busca refúgio” mais uma vez -
é na Palavra que vamos fazer o julgamento seguro.
-
Uma
mente segura vai enfrentar de frente os desejos agradáveis que nos
levam a perder o domínio e identificar que ser dominado por eles
desagrada a Deus. (Identificar o problema).
-
Devemos
perceber que a batalha a ser vencida na área do domínio próprio começa
em nossas mentes; Devemos preencher as nossas mentes com a palavra de
Deus, com louvor - e tirar aqueles pensamentos que só nos levam à
derrota.
-
A
oração é um grande aliado para que a muralha da força interior - que
será construída pela palavra de Deus - seja uma muralha sólida.
-
O
verdadeiro domínio próprio mantém a pessoa nos limites, mas nunca
amarrada/presa, seu efeito é expandir e dar verdadeira liberdade. Quem
é dominado por Deus experimenta a liberdade verdadeira.
Conclusão
Temos
uma grande e difícil jornada e a caminha será muito mais tranqüila
se nós mesmos não formos os nossos problemas. Vamos pedir a Deus a
capacidade de sermos dominados completamente pelo Espírito Santo. Só assim
teremos domínio próprio. Vamos orar.