Jornada de Fé

 

Domínio Próprio

 

IBMSP

21/07/2002

Pr. Eduardo Godoy

Provérbios 25.28

“Como a cidade com seus muros derrubados, assim é quem não sabe dominar-se” Pv 25.28

Introdução

Nos tempos antigos o muro de uma cidade era a sua maior defesa. Sem muro a cidade estava à disposição dos seus inimigos. Mais ou menos isso acontece hoje nas grandes cidades – as casas estão cercadas por grades – nos sentimos seguros por causa das grades e trancas. Ex Amigo americano.

 

Autocontrole ou o domínio próprio é o muro de defesa que se opõe aos desejos pecaminosos que fazem guerra contra sua alma. Sem autocontrole a pessoa se torna presa fácil para qualquer espécie de invasor.

 

Uma boa definição para domínio próprio pode ser: o governo dos próprios desejos; a habilidade de evitar excessos e viver dentro de limites saudáveis.

 

O domínio próprio está muito relacionado com uma decisão interior de fazer o que muitas vezes não se tem vontade. Ex. As pessoas raramente sentem-se motivadas a estudar a Palavra de Deus com regularidade. Existem tantas outras coisas mais fáceis de fazer – mentalmente falando – assistir TV, ler uma revista ou jornal, ler um bom livro, bater um bom papo, navegar na internet, etc. Por isso, é necessário uma decisão pessoal interna e uma postura externa“vou levantar, pegar a bíblia, um caderno de anotações, vou sentar na sala e vou estudá-la”. Isso não soa muito espiritual, porque quase tudo na vida cristã tem um som romântico, mas foi exatamente o que Paulo disse em 1Co 9.27:


“Esmurro o meu corpo e faço dele o meu escravo...para que eu mesmo não venha a ser reprovado”.

 

Domínio próprio deve ser alvo da nossa atenção porque estamos literalmente numa guerra quando pensamos nos desejos pecaminosos que tentam nos subjugar.

 

Tiago descreve estes desejos como sendo fortes para nos arrastar e seduzir:

Tg 1.14 “Cada um, porém, é tentado pelo próprio mau desejo, sendo por este arrastado e seduzido”.


Pedro diz que os desejos guerreiam contra nossa alma:

1Pe 2.11 “abstenha-se dos desejos carnais que guerreiam contra a alma”.


Paulo afirma que os desejos são enganosos:

Ef 4.22 “Vocês foram ensinados a despir-se do velho homem, que se corrompe por desejos enganosos”.

O que torna estes desejos pecaminosos tão perigosos é que eles moram dentro dos nossos corações e nem sempre têm uma aparência ruim.


Os tradutores da bíblia usaram a expressão “domínio próprio” para traduzir duas diferentes palavras do original bíblico.


A primeira está na lista do Fruto do Espírito – domínio próprio = moderação/temperança - em relação ao ataque dos desejos e apetites – o significado é de força interior – quer dizer a força de caráter que capacita as pessoas a controlarem as paixões.


A segunda palavra traduzida por “domínio próprio” denota mente sólida/ julgamento sólido.

Os significados se completam. Um julgamento sólido, seguro nos capacita a ver o que e como algo deve ser feito; força interior providencia a vontade de fazer. Isso nos traz uma definição final:


“Domínio próprio é o exercício da força interior sob orientação de um julgamento sólido que nos capacita a fazer, pensar, e falar coisas que irão agradar a Deus”.


Três áreas que precisam ser dominadas: Corpo, pensamentos e emoções.


1. Dominando o corpo (Honrar a Deus com o corpo)

Deus nos criou com senso de prazer.

“Então o Senhor Deus fez nascer do solo todo tipo de árvores agradáveis aos olhos e boas para alimento” – Gn 2.9


Não há dúvidas que foi intenção de Deus que nós tivéssemos prazer físico na nossa existência as com coisas que ele mesmo providenciaria para nós.

 

1Tm 6.17 “Deus nos provê tudo que precisamos para nossa satisfação”.

 

Mas vejam bem, porque os nossos desejos se corromperam, aquelas coisas que Deus pretendia que fossem para nosso deleite, acabam tendo a tendência de dominar as nossas vidas.


Por isso, o domínio próprio do corpo deve ser focado em três áreas principais de tentação física: Glutonaria – comida e bebida; preguiça/falta de descanso/desleixo com o corpo e imoralidade sexual.

  • Deus nos dá graciosamente comida e bebida – temos prazer no comer e beber. Só que nós nos deixamos dominar. É daí surgem a glutonaria e bebedice. Nós supervalorizamos a comida – alguns literalmente vivem para comer – e o prazer passa a dominar a suas vidas. Com a bebida é a mesma coisa – começa como prazer e passa para o vício. A bíblia nos orienta a comer e beber para a glória de Deus - 1Co 10.31

  • Deus deu, para nosso deleite, o descanso – e aí, ou não descansamos ou nos entregamos à preguiça. Alguns abusam do seu corpo não dando a ele quase nenhum descanso; outros, não se cuidam, não dão ao corpo nenhum exercício sequer; outros acham que nasceram para descansar e devem ir ter com as formigas, pois são totalmente preguiçosos. O nosso corpo continua sendo o templo do Espírito Santo – tratar mal o corpo é pecado.

  • O sexo - e dele vem a imoralidade. O padrão estabelecido por Deus nesta área é muito simples e claro. Absoluta abstinência fora do casamento e total fidelidade dentro do casamento. Qualquer outro caminho ou justificativa resultará em imoralidade. Vimos que domínio próprio é viver dentro dos limites estabelecidos por Deus. Aí esta uma área que merece toda nossa atenção, porque não existem limites para o mundo quando se fala de sexo.

 

2. Dominando Pensamentos (Levar cativo todo e qualquer pensamento)

 

Paulo afirmou:

“Nós devemos levar cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo” 2Co 10.5

 

Ter domínio dos pensamentos significa entreter as nossas mentes com pensamentos que sejam aceitáveis a Deus. E você sabe que a melhor maneira de avaliarmos os nossos pensamentos é apresentada por Paulo em Fl 4.8:

 

Fl 4.8 “Finalmente irmãos, tudo que for verdadeiro, tudo que for nobre, tudo que for correto, tudo que for puro, tudo que for amável, tudo que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas”.

 

Ter domínio dos pensamentos, então, é mais do que apenas recusar maus pensamentos – devemos fazer isso – mas devemos incluir em nossas mentes pensamentos que venham agradar a Deus. Devemos construir muros de proteção recusando pensamentos pecaminosos e nos apropriando de pensamentos que honrem a Deus.

 

Pv 4.23 “Acima de tudo, guarde o seu coração, pois dele depende toda sua vida”

 

Aqui, o significado da palavra hebraica traduzida por coração, refere-se a toda consciência de uma pessoa: entendimento, emoções, consciência e vontade – entretanto, a advertência é particularmente aplicada à nossa vida de pensamentos.

 

A tarefa de dominar pensamentos é árdua, mas importante. É a partir dos nossos pensamentos que nossas emoções e ações começam – então, é justamente lá que os desejos pecaminosos plantam suas raízes e nos seduzem ao pecado.

 

Nossas mentes são como estufas mentais onde pensamentos ilegítimos, uma vez plantados, são nutridos e aguados antes de serem transformados em ações ilegítimas. Raramente nós caímos subitamente na imoralidade ou glutonaria. Estas ações são primeiramente saboreadas em nossas mentes antes de serem satisfeitas na realidade.

 

Os portões dos nossos pensamentos são com certeza os nossos olhos e ouvidos. Acã viu a capa e o dinheiro, cobiçou e pegou para si. Josué 7.21 - O que nós vemos, lemos ou ouvimos normalmente determina o que pensamos. Memória também tem grande parte de responsabilidade pelos nossos pensamentos, mas ela só guarda e traz de volta aquilo que originalmente veio para as nossas mentes através dos olhos e ouvidos. Então, guardar o nosso coração começa quando começamos a guardar os nossos olhos e ouvidos.

 

Isso quer dizer que nós não devemos permitir que a lascívia, o materialismo, a inveja, a ambição egoísta entrem em nossas mentes. Então, devemos nos precaver contra programas de TV, filmes, revistas, artigos de jornais, propagandas e conversação que levantem estas coisas. E nós devemos não apenas evitar estas coisas, mas como Paulo instrui a Timóteo: “Fuja destas coisas” ninguém está isento da necessidade de exercitar domínio próprio. Sem criar pânico, deveríamos evitar o máximo o contato com coisas que vão destruir as muralhas de proteção da nossa mente - permitindo que não consigamos nos controlar.

 

Salmo 139.2 e 4 “De longe percebe os meus pensamentos e antes que a palavra chegue à minha língua, tu já a conheces inteiramente”.

 

É muito interessante que nós permitimos em nossas mentes o que nós não permitimos em nossas ações, porque outras pessoas não podem ver os nossos pensamentos. Mas Deus os vê.

 

 

3. Controlando as Emoções (Refreando as emoções)

 

As emoções que devemos controlar são principalmente a raiva e fúria, os ressentimentos, a autocompaixão e a amargura. Os sentimentos podem ser explosivos como um gênio descontrolado; ou pode ser velado, como a autocomiseração – ambos desagradam a Deus e devem ser alvos do domínio próprio.

 

Segundo a Palavra, um gênio explosivo é uma contradição na vida daqueles que estão procurando praticar a vida cristã de forma piedosa. É um problema não apenas porque isso demonstra que a pessoa é desgovernada, mas principalmente porque em geral a situação acaba machucando as pessoas que são os “recipientes” da explosão, quebrando o respeito, criando amargura e destruindo relacionamentos. Fora que depois da crise de ira – vem um sentimento de vergonha – pois na maioria das vezes, uma pessoa descontrolada é no mínimo ridícula.

 

Pv 16.32 “Melhor é o homem paciente do que o guerreiro, mais vale controlar o seu espírito do que conquistar uma cidade”

 

Se você tem lutado contra este sentimento que faz você explodir, tente identificar as coisas que o levam a perder o controle – avalie com Deus estas coisas e submeta-se à Palavra de Deus, pagando o preço da construção de uma muralha que vai proteger você de cair.

 

Embora não tão prejudiciais aos outros, o ressentimento, a amargura e autocomiseração podem ser muito destrutivos para nós mesmos e para o nosso relacionamento com Deus. O gênio explosivo é de certa forma aliviado quando é derramado sobre os outros a raiva; enquanto esses outros sentimentos vão corroendo a pessoa por dentro como se fosse um câncer, desonrando a Deus e destruindo a saúde espiritual. Devemos manter nossas emoções com rédea curta. Devemos trabalhar decididamente com elas quando elas surgem nos pensamentos e não dar corda a eles.

 

 

4. Construindo a muralha de proteção

 

A ênfase na luta pelo domínio próprio poderia ser a palavra crescimento. E este é um processo que exige tempo, paciência, persistência, boa vontade – e compreensão de que todos estão no mesmo barco – a única coisa que difere é que uns lutam numa certa área outros lutam em outras – mas todos estão lutando. Às vezes, somos tentados a julgar os outros por não terem se dominado numa área em que nós não temos problemas. Somos tolerantes conosco em  nossas lutas e intolerante com os outros nas lutas deles. Temos que lembrar – todos estão lutando e crescendo.

 

O que temos que construir é uma mente sólida para um julgamento sólido. E a palavra de Deus é essencial neste processo.


E é o que estamos dizendo desde domingo passado e ouvimos hoje de manhã. A Palavra de Deus é fundamental para o crescimento, para a santidade, para a vitória na vida cristã. Alguém disse “A palavra de Deus vai mantê-lo longe do pecado, ou o pecado vai mantê-lo longe da Palavra de Deus”.

 

Lembre-se: o domínio próprio é tomar a decisão de estabelecer limites baseados na Palavra.

 

Os conceitos da Palavra de Deus vão construir uma proteção que vai nos habilitar a dominar os ataques que querem nos levar a perder o domínio. Ter domínio próprio é ser totalmente dominado por Deus, só podemos ser dominados por Deus se a Palavra dominar as nossas vidas. “Escondi a tua palavra no meu coração para não pecar contra ti”. Não é mágica, é força interior gerada pelo Espírito de Deus, tendo com instrumento a própria palavra de Deus – que é viva e eficaz. Identifique alguns passos:

 

  1. Construa uma mente sólida, calcada na palavra vai ser o inicio do domínio próprio; Conhecer e obedecer a Deus através da Palavra vai construir a barreira que vai proporcionar o domínio próprio. Não é apenas dizer não ao pecado. Devemos quebrar os velhos hábitos e pelo conhecimento e obediência à Palavra colocar hábitos sadios no lugar.  

  1. Uma mente segura/sólida vai nos possibilitar identificar as áreas que precisam ser trabalhadas, onde necessitamos ter domínio próprio. Pv 27.12 “o prudente percebe o perigo e busca refúgio” mais uma vez - é na Palavra que vamos fazer o julgamento seguro.

  1. Uma mente segura vai enfrentar de frente os desejos agradáveis que nos levam a perder o domínio e identificar que ser dominado por eles desagrada a Deus. (Identificar o problema).

  1. Devemos perceber que a batalha a ser vencida na área do domínio próprio começa em nossas mentes; Devemos preencher as nossas mentes com a palavra de Deus, com louvor - e tirar aqueles pensamentos que só nos levam à derrota.

  1. A oração é um grande aliado para que a muralha da força interior - que será construída pela palavra de Deus - seja uma muralha sólida.

  1. O verdadeiro domínio próprio mantém a pessoa nos limites, mas nunca amarrada/presa, seu efeito é expandir e dar verdadeira liberdade. Quem é dominado por Deus experimenta a liberdade verdadeira.

Conclusão

Temos uma grande e difícil jornada  e a caminha será muito mais tranqüila se nós mesmos não formos os nossos problemas. Vamos pedir a Deus a capacidade de sermos dominados completamente pelo Espírito Santo. Só assim teremos domínio próprio. Vamos orar.


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